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Mostrando postagens com o rótulo escritora cuiabana

Xadrez

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Entre um gole na habitual caneca de chopp e as notas que iniciavam a música mais tocada das noites, ele olhou para mim e apenas sorriu levemente. Entendi ser um convite para lhe abordar mas permaneci ali, estática, não queria essa atenção para mim. Como um ímã, meus olhos encontravam os dele e a cada olhar um sorriso saia dos seus lábios e dos meus apenas um suspiro que eu achava ser quase despercebido. Só entendi que não era quando ele terminava o contato rindo nervosamente, como alguém que comprovou a conquista. Por alguma distração o perdi em meio a tantas pessoas desconexas, aleatórias. Pelo menos para mim, não me encontrava em ninguém, na verdade nem estava perdida, não sei porque eu estava com isso na cabeça, bagunçou-me o juízo, acho! Mais um gole, desta vez foi meu e não era um chopp, pedi naquela noite uma dose de licor, apenas uma pequena e intensa dose. Seria apenas isso. Assim que virei o pequeno gole, com as bochechas ainda quentes e ruborizadas pela bebida, senti tocarem ...

Espero que sinta

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Não conseguia desviar meus olhos dela. Era um olhar perdido, confesso! Mas se encontravam nos limites de sua pele... O magnetismo que eu sentia só de estar em sua presença me movia, me levava a lugares inimagináveis, fazia emergir sensações indescritíveis. Era como se eu perdesse o controle de mim mesmo e deixasse que o comando de tudo viesse de um outro ser... e ela geria com maestria qualquer comando. Parecia ser inerente à sua personalidade. Era um domínio natural e sem a menor arrogância, e estava presente porque ambos deixávamos que estivesse. A minha sensação era de que quanto mais ela via que me dominava maior ficava seu sentimento interno de ser grandiosa, ela se alimentava disso. Cíclico! Assim que consegui tocar-lhe a pele, naturalmente dourada, senti que tinha encontrado tudo o que estava atrás nesta vida.  E queria que ela soubesse disso e ficasse confortável com o que estava por vir. Nenhum plano seria feito mais no singular, nenhum café seria em xícara solitária e nen...

Me beije

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No exato momento que entrou no restaurante eu soube que era você. Não pelo desconforto imediato que ele demonstrou, não sei, acho que foi o seu magnetismo mesmo. Passou levemente pela mesa, balançou meus cabelos com o movimento suave dos quadris, deixou um pouco do doce perfume e, ali, tive a certeza de que era você. Não nego que já havia visto sua foto, pessoalmente é muito mais bonita. Não esperava outra coisa mesmo, nota-se que há motivos para ter acontecido tudo como foi. Continuei ali, mantendo a conversa inicial. E nem estava tediosa, pelo contrário. Ainda assim fiz questão de que sua presença não fosse notada, pelo menos para que ele não soubesse que eu lhe reconheci de imediato. Acho que nem passou pela cabeça dele que eu sabia, eu sabia de tudo. O olhar dele lhe procurou sorrateiro, devagar, por cada canto do ambiente. Me surpreendeu que não conseguisse lhe localizar tão logo... era só sentir o rastro do aroma adocicado que seu perfume deixou no ar; ou só eu senti insistenteme...

Mais um fim

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Ao fundo, além da sua voz, escutei aquele som gostoso de chuva a cair. Fiquei imaginando o cheirinho que subiria com a água a molhar do solo, o frescor que seria deixar que a chuva chegasse ao encontro, pelo menos, das mãos, que certamente também iriam de encontro ao rosto... deixando até a ideias menos tensas. Tentei focar no que dizia, escutar apenas o som da sua voz, mas parecia tão baixinha em relação a tudo que estava acontecendo, inclusive o caos dentro de mim. Enquanto ousava falar insistentemente, ainda que percebendo meu imenso desinteresse, fiquei a lembrar das noites que era apenas isso que eu queria ouvir: o som da sua voz. Noites distantes, que passávamos a conversar banalidades, fragilidades, intimidades... coisas assim. Lembra? Horas que passavam sem nem ao menos percebermos. O que mudou? A inquietude em seu olhar tomou força, o sorriso ficou forçado e a voz... ah, esta perdeu realmente a veludez. Não era mais você meu destino esperado ao fim do dia. Mas, o que me doía m...

Nossa dor não sai no jornal

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Como pode a gente ter certeza de algo e, com o passar das primaveras, com as pequenas e grandes mudanças da vida, tudo torna-se diferente. Lembro que prometi a mim mesma que não deixaria os cabelos brancos afetarem minha percepção de mim mesma, que a rotina não me faria distanciar dos seus abraços e que o hábito de estar perto não me deixaria menos saudosa. Vãs! Sem fundamento, hoje sei; naquela época eram a melodia que me conectava à vida, eram as promessas que me deixavam em pé e faziam mais alegre meu sorriso. Hoje entristece-me saber que fui tão inocente. Não contava com as escolhas que cada um faz. E, claro, as consequências que as acompanham... minhas, suas, nossas! Independente, é a nossa vida que sofre os danos que trazemos à nossa realidade. Veja bem, não romantizo o relacionamento, mas, pensando bem, que mal teria? Sorrir porque se está realmente feliz, cantar porque se está com o peito cheio de música e amar porque se está com o coração cheio de ternura.  Eu sei, seu sei...

Observe

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E que fique registrado que apenas escrevo o que sinto, opino sobre o que penso muito a respeito e tenho sentimentos vários, voláteis, fugazes e por vezes latentes. Falo isso porque esperou de mim uma resposta que eu realmente não sabia como lhe dar. Secamente respondi e deixei no ar, com um olhar blasé, dando a impressão de que ignorei a importância do meu retorno a você. Mas não foi isso... Custa-me deixar-lhe ir. Sim, claro. Gosto de tê-lo aqui, de vê-lo me observar (mesmo achando que não percebo), de acariciar-me apenas com os olhos e de desejar-me com seu corpo inteiro. Mas nada disso pode ser dito, não em voz alta... poderia ser apenas aquele sussurro ao ouvido, bem baixinho, mais como uma confissão proibida, bem proibida. Nem eu nem você podemos deixar isso ir adiante. Nunca deixamos, ainda mais agora. Há tempos isso nos persegue, um sentimento de que nos pertencemos, mas não somos autorizados a continuar e, sério mesmo, não tenho pretensão. Não, nada de amor proibido, por favor ...

Sou excesso e sua falta não cabe aqui

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O tempo obrigatoriamente passa, os sentimentos mudam e as pessoas passam a se mostrar ligeiramente diferentes do que inicialmente. Isso tudo acontece quase que de forma indispensável, o que não quer dizer que é sempre bom, não quer dizer que mudam para melhor. Deve ter sido isso que aconteceu conosco. A mudança nos deixou desconexos, as alterações de quereres nos distanciou. Isso é simplório, fácil de perceber. Eu queria seu colo, seu aconchego, seu afago. Você se tornou liberto, volátil e independente. Sofria com a distância imposta pelo nosso dia a dia e você se aproveitou dela para alcançar situações fora da minha percepção. Ainda me encantava seu leve sorriso e você detestava minha alegria, ainda que fosse por sua presença. A cama ficava vazia sem sua presença a esquentar debaixo do edredom, para você era apenas uma necessidade biológica: dormir. Tentei reconciliar-me com meus sentimentos mais primórdios, aqueles que instigou no início da nossa história, e você fez questão de enter...

Qualquer cuidado é pouco!

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É uma frase tão simples, palavras (escritas) bem fáceis de compreender, mas, o significado disso, o conceito mesmo da frase é imensamente distante da realidade, seja de qualquer relação que esteja pensando. Aqui esbarramos em reflexões de cuidados físicos. Muito latente em pais, né? Cuidar dos filhos é difícil, fazê-los entender que estamos cuidando deles é complicado porque não vai de encontro com o que eles querem momentaneamente. Mesmo que em nossa cabeça fique martelando que ‘qualquer cuidado é pouco!’  Mas vamos além de cuidados físicos. Até porque eles acabam sendo consequência do que sentimos: ora, se amo, quero o melhor, faço o meu melhor e cuido da melhor forma possível. Quero, também, que pensemos em cuidados com a alma, com os sentimentos alheios, com o nossos ‘quereres’ também. Qualquer cuidado é pouco porque cada pessoa tem uma maneira de sentir, de ver, de entender a realidade, de querer intensamente ou dar pouca importância para o alheio. Falar rud...

Apenas uma pretensiosa carta

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Parece antiquado o fato de escrever-lhe carta em momentos que a comunicação é digital e tão rápida atualmente. Mas acho que a intensão é não ser rápida e sim certeira, intensa. Se fosse lhe escrever por mensagem iria ler e querer responder tão logo. E onde ficaria o sentimento de cada letra escrita por meu próprio punho? Onde estaria a reflexão já que a estaria lendo sozinho, num conforto de horário e local (que nem sempre o celular nos concede)? Onde estaria a sensibilidade de entender que a coisa é séria por procurar uma forma não convencional para lhe comunicar? Sim, chega a ser um comunicado. Após tantas tentativas de conversa, alerta, pedido, súplicas... chegou o momento de apenas lhe comunicar como será daqui pra frente...  Comunico a você que apesar de todos os nossos desentendimentos, eu prefiro estar em sua companhia. Há sim momentos em que a solidão serve de reflexão, mas momentos, específicos, únicos e pontuais. Comunico a você que, caso ainda não tenh...

Chegou a primavera

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Era um dia comum. O sol saiu cedo, já tentando esquentar a cama pela fresta da janela. Ainda fazia um leve frio, por aqui, mesmo no inverno o calor se faz mais presente que em qualquer canto do país. Tentei sair da cama com os lençóis ainda bagunçados, notei que tinham seu cheirinho; e só! Demorei a entender que era o dia após, o dia imediatamente após sua partida. Tão logo lembrei disso, joguei-me no travesseiro novamente, insistindo que seria um dia que não valeria a pena ser vivido, queria que passasse logo, queria que não tivesse ido, queria, na verdade, que nunca tivesse vindo. E se eu nunca tivesse lhe conhecido? E se eu não tivesse permitido me apaixonar? E se eu tivesse insistido que não queria compromisso? São suposições tão distantes... conhece-me, impossível não cair em tamanha tentação. Mais piegas que eu? Não sei, não vi... Volta-me aos pensamentos como foi sua partida. Desta vez, sento na cama e decido entre sair e iniciar minha rotina, ou esperar que acont...

Não sou descartável

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Tem certos momentos em que fico apenas pensando o quanto as coisas poderiam ser diferentes se, por acaso, minhas escolhas do passado tivessem sido outras. Melhor? Não sei, acho que não. Já me entendi: não costumo lamentar o que já foi, pelo contrário, celebro a passagem por tudo. Só fico pensando se estou, neste momento, a tomar as decisões corretas. Dá uma pontada maior ainda no peito quando vejo que me trata como descartável. A qualquer desavença, opiniões diversas, descontentamento, coloca-se a ir embora como se a solução fosse simplória a este ponto, de apenas abandonar. Foi por isso que tomei a decisão de considerar o que me pediu na última discussão: ‘acho que deveria pensar a respeito de uma separação, eu vou!’ – disse-me. Mantenho distância para que não ‘contamine’ minha reflexão. Não o olho, não lhe dirijo a palavra, prefiro nem dividir o mesmo ambiente que você. O meu sentimento por você pode confundir-me e me cegar para os meus próprios. Não sou descartável, e...

E se eu fosse embora agora?

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E se eu fosse embora agora, sem aviso prévio, sem lhe conceder explicações compreensíveis, sem ao menos dar-lhe a chance de se despedir com dignidade? Se eu fosse embora neste instante passaria a pensar que atitudes poderiam ser mais empáticas, que sentimentos poderiam ser mais verdadeiros e que seu amor poderia ser mais cuidadoso? Indo embora agora talvez você sentaria em frente ao jardim, com sua bebida na mão, e pensaria que é mais uma cena dramática que eu produzo para, quem sabe, chamar sua atenção. Mal sabe que indo embora agora as chances de repensar em nossas atitudes seriam desnecessárias; para mim a partida é a consolidação do fim. Eu queria, sinceramente, que, indo embora, você ficasse se martirizando pelas chances perdidas, palavras proferidas e ilusões perdidas que nos deixou. Queria que sentisse um nó na garganta tão grande que a única frase que conseguiria dizer era para que eu ficasse... E, claro, seria em vão!  Se eu fosse embora já, deixaria um ...

Madrugadas que passam

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Há muito tempo ela entendeu que a madrugada é para os fortes. Sabe aqueles que não têm medo de refletir sobre a vida nos momentos mais silenciosos do dia? Ou quando os feitos das últimas 24 horas ficam perturbando as ideias, deixando a consciência pesada de um dia que poderia ter sido melhor? Pois bem, ela não tem esse medo. Enfrenta sozinha as madrugadas, a pensar, sobre si, sobre o outro, ou nada... que seja, pensar não é específico. O problema maior é que é neste momento, somente neste, em que está sozinha, é que a saudade apresenta-se em lágrima, uma, só uma, amarga e doída. Saudade do que entende que poderia ser diferente, do que lutou e não conseguiu findar, como uma batalha em que ninguém determinantemente sai perdedor, apenas sem sucesso. Saudade esta que enfraquece o coração e a deixa vulnerável ainda que seja de madrugada. Pensa que pode sempre mostrar mais, declarar mais, fazê-lo sentir mais! Daí os pensamentos rolam soltos. Lembra constantemente do momento em que...