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Me beije

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No exato momento que entrou no restaurante eu soube que era você. Não pelo desconforto imediato que ele demonstrou, não sei, acho que foi o seu magnetismo mesmo. Passou levemente pela mesa, balançou meus cabelos com o movimento suave dos quadris, deixou um pouco do doce perfume e, ali, tive a certeza de que era você. Não nego que já havia visto sua foto, pessoalmente é muito mais bonita. Não esperava outra coisa mesmo, nota-se que há motivos para ter acontecido tudo como foi. Continuei ali, mantendo a conversa inicial. E nem estava tediosa, pelo contrário. Ainda assim fiz questão de que sua presença não fosse notada, pelo menos para que ele não soubesse que eu lhe reconheci de imediato. Acho que nem passou pela cabeça dele que eu sabia, eu sabia de tudo. O olhar dele lhe procurou sorrateiro, devagar, por cada canto do ambiente. Me surpreendeu que não conseguisse lhe localizar tão logo... era só sentir o rastro do aroma adocicado que seu perfume deixou no ar; ou só eu senti insistenteme...

Caminho sem volta

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A transgressão, ainda que mansa e sutil, quando periódica, pode ser avassaladora e sem volta! Percebi isso enquanto eu caminhava num passo lento, em sua direção. Não me preocupei em olhar para trás, só segui adiante, apenas por capricho meu... ou necessidade? Quis satisfazer meu ego e sentir o gosto, novamente, de ser adorada. No início era apenas a autorização de ver-me. Só, de longe, sem toques nem trocas de palavras. Fingia eu que nem sabia que estava a me espiar. Isso me deixava cheia de vontades internas a ponto de um rubor quente tomar conta do meu rosto e não ter como negar qualquer emoção à tona. Neste tempo eu lembrava como gostava de passar os dedos pelos meus cabelos lisos, sem pressa, fio a fio, só para senti-los escorrer. Era uma maneira de sentir-me, sei. Até aqui eram apenas lembranças. Jamais imaginei que seria um fato novamente, recente. Passou a mandar recadinhos. Mensagens como bem entendesse. O objetivo é que chegassem a mim. Se alguém saberia ou não, seria uma cons...

Voraz ainda que silencioso

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Será que eu perdi aquele mistério que lhe fez intrigado a ponto de querer  entender-me? Acho que esse ‘ar’ enigmático é o que nos move num primeiro momento, que nos dá vontade de desvendar o que quer que seja, só pelo prazer de descobrir o novo.  Talvez seja por isso que hoje passo mais dias só do que com você: sou totalmente conhecida. Eu diria mesmo é que sou verdadeira, mas há quem goste de contrariar-me sobre meus próprios pensamentos, então simplifico dizendo que já me conhece por demais e pode ser isso que nos afetou. Será? E mais, será que é só pra você que isso faz diferença. E quanto ao que você tem representado pra mim? Pois bem, aqui vai mais um aviso do que uma mensagem melancólica de quem quer resolver as coisas, afinal, já falei que podíamos nos reconectar um milhão de vezes, mas isso só nos fazia perder-nos ainda mais; então, pense agora no caso de eu não querer mais resolver e sim fazer o mesmo com você.  Sem que saiba, sem que veja, sem que sinta... apena...

Mais um fim

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Ao fundo, além da sua voz, escutei aquele som gostoso de chuva a cair. Fiquei imaginando o cheirinho que subiria com a água a molhar do solo, o frescor que seria deixar que a chuva chegasse ao encontro, pelo menos, das mãos, que certamente também iriam de encontro ao rosto... deixando até a ideias menos tensas. Tentei focar no que dizia, escutar apenas o som da sua voz, mas parecia tão baixinha em relação a tudo que estava acontecendo, inclusive o caos dentro de mim. Enquanto ousava falar insistentemente, ainda que percebendo meu imenso desinteresse, fiquei a lembrar das noites que era apenas isso que eu queria ouvir: o som da sua voz. Noites distantes, que passávamos a conversar banalidades, fragilidades, intimidades... coisas assim. Lembra? Horas que passavam sem nem ao menos percebermos. O que mudou? A inquietude em seu olhar tomou força, o sorriso ficou forçado e a voz... ah, esta perdeu realmente a veludez. Não era mais você meu destino esperado ao fim do dia. Mas, o que me doía m...

Não é o meu caos

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É comum acordar nas manhãs de outubro com o céu repleto de nuvens, cheirinho de chuva por vir. Um dia mais fechado, melancólico... Hoje não foi diferente disso. O sol perdeu a força em saiu de cena, deixando a negritude das nuvens mais carregadas tomarem conta do meu dia, especificamente do meu dia. E eu também fui bem permissiva! Abri a janela e deixei entrar essa taciturnidade imensa que imperou nas primeiras horas de um dia qualquer de outubro! É, um dia qualquer. Nem fiz questão de saber a quantas estamos no calendário, nem o dia da semana procurei lembrar. Era um dia em que se propõe a simplesmente passar... as horas, as gotas de chuva, as tristezas marcadas no coração... Não estava sofrendo de tédio, era tristeza. Gosto de chorar minhas mágoas, é comum. Tirei o dia, inspirador – diga-se de passagem, propício – a chorar tudo aquilo que não tive tempo. Nada agendado, não foi um encontro marcado com o meu lamentar, apenas fui sugestionada a isso... e não vamos deixar de dar crédito ...

De volta

Retomando, ou melhor, tentando retomar... Alguns textos exclusivamente no Instagram, @cronicasdesheilaliz . O que está por vir pode ser que seja aqui, ou não, sei lá... sigam

Nossa dor não sai no jornal

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Como pode a gente ter certeza de algo e, com o passar das primaveras, com as pequenas e grandes mudanças da vida, tudo torna-se diferente. Lembro que prometi a mim mesma que não deixaria os cabelos brancos afetarem minha percepção de mim mesma, que a rotina não me faria distanciar dos seus abraços e que o hábito de estar perto não me deixaria menos saudosa. Vãs! Sem fundamento, hoje sei; naquela época eram a melodia que me conectava à vida, eram as promessas que me deixavam em pé e faziam mais alegre meu sorriso. Hoje entristece-me saber que fui tão inocente. Não contava com as escolhas que cada um faz. E, claro, as consequências que as acompanham... minhas, suas, nossas! Independente, é a nossa vida que sofre os danos que trazemos à nossa realidade. Veja bem, não romantizo o relacionamento, mas, pensando bem, que mal teria? Sorrir porque se está realmente feliz, cantar porque se está com o peito cheio de música e amar porque se está com o coração cheio de ternura.  Eu sei, seu sei...