É preciso ter muito claro o que nos move, o que nos deixa reflexivos, o que nos entristece grandemente e o que nos alegra sem medida. Muitos chamam isso de autoconhecimento. Sim, o é... mas acho que vai além. Se conhecer esbarra no que se consegue viver e absorver das experiências que se passa. E isso também está ligado com a convivência, sabe? Consigo, ‘sem sigo’, com outros... Cada momento, seja ele um dia único, um evento, uma flor que cai e você nota ou que seja uma pessoa que lhe chega como uma surpresa gostosa... cada momento tem um significado e saber interpretar pode construir uma vida de viveres! Rasamente parece clichê, ou pior: mais do mesmo... mas o banal realmente é falar disso, a ideia aqui é identificar se está fazendo, praticando. Dançando a vida. Como ela vem, com a melodia que ela coloca. Sabe que temos a escolha de trocar o disco, não? Ah, disco, vai!... além de ser nostálgico, traz um quê de pessoa cult e, além disso, tem um resgate familiar nessa fala. Pense na tri...
Eu odeio você. E isso acontece tão diariamente. Odeio estar perto de você. Cada vez que nos encontramos aumenta ainda mais o meu desgosto, e aqui vai parecer ambíguo: esse sentimento todo é justamente porque me faz sentir tão bem que chego a me culpar por isso. Não quero te ver! Acaba por me chamar, por me aguçar os sentidos, me clamar presença e eu simplesmente vou. Não sei se é apenas o comando em si, o fato de mandar e eu deliberadamente só atender, até porque eu mesma o quero! Ou a lembrança do seu cheiro que perpetua em mim, que fica impregnado na minha pele a cada vez que toca sua, e isso me leva ao delírio em noites nas quais não estamos juntos. Pode ser também que é pelo fato de que me deseja, e isso com certeza me basta para encontros nus e nada silenciosos. Eu odeio você só porque você me descobriu sozinho, sem que eu tivesse que impor qualquer detalhe à sua frente. Veio a mim como um presente, mais seu do que meu, sabemos! E ainda assim eu abro os braços como quem quer l...
Era sempre verão. Pra mim era sempre verão mesmo que estivéssemos vivendo nos meses mais frios ou conseguíssemos acompanhar o florescer mais belo das flores. Ainda assim, era verão para mim. O calor no coração transbordava, trazia efeitos no corpo, sabe? Para mim era verão, poxa! Eu sentia as gotículas de suor indevido descendo pela pele quente, molhava os tecidos mais leves, exigidos naquela quentura diária. Tecidos soltos, que deixam o caminhar mais sutil, que nos obrigava a segurar a barra do vestido que esvoaça com a brisa, quente! Brisa que passa após muitos pedidos suplicados, ainda que fosse apenas nas primeiras horas do dia; um amanhecer que deveria ser leve, mas já estava em sua mais alta temperatura. Foi nessa hora que eu vi que me observava: no meu verão. E mesmo de longe eu senti ressoar, pelo seu sorriso mais travesso, que queria passar comigo por aquela estação permanente, estação que eu fiz permanente. Percebendo isso, sem saber como chegou até mim...
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