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Qualquer cuidado é pouco!

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É uma frase tão simples, palavras (escritas) bem fáceis de compreender, mas, o significado disso, o conceito mesmo da frase é imensamente distante da realidade, seja de qualquer relação que esteja pensando. Aqui esbarramos em reflexões de cuidados físicos. Muito latente em pais, né? Cuidar dos filhos é difícil, fazê-los entender que estamos cuidando deles é complicado porque não vai de encontro com o que eles querem momentaneamente. Mesmo que em nossa cabeça fique martelando que ‘qualquer cuidado é pouco!’  Mas vamos além de cuidados físicos. Até porque eles acabam sendo consequência do que sentimos: ora, se amo, quero o melhor, faço o meu melhor e cuido da melhor forma possível. Quero, também, que pensemos em cuidados com a alma, com os sentimentos alheios, com o nossos ‘quereres’ também. Qualquer cuidado é pouco porque cada pessoa tem uma maneira de sentir, de ver, de entender a realidade, de querer intensamente ou dar pouca importância para o alheio. Falar rud...

Apenas uma pretensiosa carta

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Parece antiquado o fato de escrever-lhe carta em momentos que a comunicação é digital e tão rápida atualmente. Mas acho que a intensão é não ser rápida e sim certeira, intensa. Se fosse lhe escrever por mensagem iria ler e querer responder tão logo. E onde ficaria o sentimento de cada letra escrita por meu próprio punho? Onde estaria a reflexão já que a estaria lendo sozinho, num conforto de horário e local (que nem sempre o celular nos concede)? Onde estaria a sensibilidade de entender que a coisa é séria por procurar uma forma não convencional para lhe comunicar? Sim, chega a ser um comunicado. Após tantas tentativas de conversa, alerta, pedido, súplicas... chegou o momento de apenas lhe comunicar como será daqui pra frente...  Comunico a você que apesar de todos os nossos desentendimentos, eu prefiro estar em sua companhia. Há sim momentos em que a solidão serve de reflexão, mas momentos, específicos, únicos e pontuais. Comunico a você que, caso ainda não tenh...

Chegou a primavera

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Era um dia comum. O sol saiu cedo, já tentando esquentar a cama pela fresta da janela. Ainda fazia um leve frio, por aqui, mesmo no inverno o calor se faz mais presente que em qualquer canto do país. Tentei sair da cama com os lençóis ainda bagunçados, notei que tinham seu cheirinho; e só! Demorei a entender que era o dia após, o dia imediatamente após sua partida. Tão logo lembrei disso, joguei-me no travesseiro novamente, insistindo que seria um dia que não valeria a pena ser vivido, queria que passasse logo, queria que não tivesse ido, queria, na verdade, que nunca tivesse vindo. E se eu nunca tivesse lhe conhecido? E se eu não tivesse permitido me apaixonar? E se eu tivesse insistido que não queria compromisso? São suposições tão distantes... conhece-me, impossível não cair em tamanha tentação. Mais piegas que eu? Não sei, não vi... Volta-me aos pensamentos como foi sua partida. Desta vez, sento na cama e decido entre sair e iniciar minha rotina, ou esperar que acont...

Sentindo

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Ainda que nestes dias o sol apareça sinto um ventinho leve, que me fez querer pegar a blusa que você jurou que não iria usar. Além da blusa, providencio uma xícara de café, minha companheira... principalmente quando o tempo teima em passar sem me dar motivo algum para aproveitá-lo. Acho que é isso que pensamos num momento de tédio, deve ser isso apenas. E é nesses momentos também que nos pegamos a refletir sobre bobagens. Como a que me disse ontem sem nem perceber o quanto me atingiu. Era uma conversa distraída, sem segundas intenções mas bateu fundo. Se bem que atinjo-me fácil fácil, é uma das vertentes de ser tão intensa... Mas não me culpo, não me mudo, não acho que o resultado do que sinto seja apenas responsabilidade minha... conversa antiga essa, não? Ela se repete porque há muita verdade nela! Simples! Encho um pouco mais a xícara, vi que as reflexões serão longas e sem a sua companhia... ainda dormindo, parece que nada o atinge, segue a vida sem o menor incômodo....

E se pudesse ter outra vida nesta vida?

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Como você aproveitaria se tivesse a oportunidade de começar do zero? Sim, se pudesse simplesmente partir e recomeçar a vida num outro lugar, totalmente diferente e distante, conseguiria aproveitar? Já imaginou ir para um país, cidade que seja, desconhecida. Um lugar em que não conheça ninguém, iniciaria uma vida ali. Poderia descobrir, por exemplo, se realmente os perfumes mais docinhos são os seus preferidos, poderia passar a criar uma identidade com os amadeirados. Descobriria se é uma pessoa matinal, que acorda cedo, que gosta de café logo nas primeiras horas da manhã e inicia as atividades no amanhecer do dia, ou se prefere a baixa luz da noite, gosta de ver apenas os brilhos das estrelas e trabalha melhor sozinha com apenas o luar como companhia. Teria a experiência de vivenciar outras estações do ano e entenderia que é mais primaveril do que invernal. As cores lhe fariam melhor do que o dia cinzento que o inverno nos faz viver. Não teria que se explicar a mais ...

Não sou descartável

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Tem certos momentos em que fico apenas pensando o quanto as coisas poderiam ser diferentes se, por acaso, minhas escolhas do passado tivessem sido outras. Melhor? Não sei, acho que não. Já me entendi: não costumo lamentar o que já foi, pelo contrário, celebro a passagem por tudo. Só fico pensando se estou, neste momento, a tomar as decisões corretas. Dá uma pontada maior ainda no peito quando vejo que me trata como descartável. A qualquer desavença, opiniões diversas, descontentamento, coloca-se a ir embora como se a solução fosse simplória a este ponto, de apenas abandonar. Foi por isso que tomei a decisão de considerar o que me pediu na última discussão: ‘acho que deveria pensar a respeito de uma separação, eu vou!’ – disse-me. Mantenho distância para que não ‘contamine’ minha reflexão. Não o olho, não lhe dirijo a palavra, prefiro nem dividir o mesmo ambiente que você. O meu sentimento por você pode confundir-me e me cegar para os meus próprios. Não sou descartável, e...

E se eu fosse embora agora?

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E se eu fosse embora agora, sem aviso prévio, sem lhe conceder explicações compreensíveis, sem ao menos dar-lhe a chance de se despedir com dignidade? Se eu fosse embora neste instante passaria a pensar que atitudes poderiam ser mais empáticas, que sentimentos poderiam ser mais verdadeiros e que seu amor poderia ser mais cuidadoso? Indo embora agora talvez você sentaria em frente ao jardim, com sua bebida na mão, e pensaria que é mais uma cena dramática que eu produzo para, quem sabe, chamar sua atenção. Mal sabe que indo embora agora as chances de repensar em nossas atitudes seriam desnecessárias; para mim a partida é a consolidação do fim. Eu queria, sinceramente, que, indo embora, você ficasse se martirizando pelas chances perdidas, palavras proferidas e ilusões perdidas que nos deixou. Queria que sentisse um nó na garganta tão grande que a única frase que conseguiria dizer era para que eu ficasse... E, claro, seria em vão!  Se eu fosse embora já, deixaria um ...