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Sou feita de urgências

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Mais do que ninguém, você sabe bem que sou feita de urgências... Não demonstre surpresa, desde que eu cheguei as situações acontecem sem espera, sem vírgula, sem meias palavras, sem meia hora. Não tenho tempo para pouca coisa. Ao mesmo passo que não serei aquela a lhe entregar meio sentimento, meia vontade nem meio tormento! Sou feita de urgências, não me faça esperar por algo que já conquistei. Tenho meu espaço, meus quereres inerentes; está aqui para contemplar a plenitude que sou e dar-me aquele sorriso ao final de tudo. Não me faça repensar limites. A liberdade que me deu inicialmente continua a crescer, a querer ainda mais ser. Chega a ser imprudente desafiar-me em detalhes imensos, deixar crescer infelicidades pequenas só por orgulho de não rever a si próprio. Eu mesma acho que é egoísmo. Devia ter receio mesmo é do que virá dessa falta de cuidado, meu querer é pra agora, meu ser é urgente. Gosto de mensagens diretas, constantes; beijos inconsequentes e abraços inebriantes. Sabe,...

Ler-me-ia e assim eu seria!

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Deixe-me ser o que eu nasci pra ser. Não me pause, não me recrimine, deixe-me ser, apenas. Não é um pedido, é uma exigência existencial. Tenha paciência comigo, estou me abrindo para você e por isso me coloco numa posição delicada, de fragilidade ampla. Deve achar que é uma bobagem, assim como faz com meus escritos. Sim, aquelas folhas que andam comigo, mais dentro do peito que em minhas mãos. Justamente porque não me deixa ser! Não percebe que sem seu olhar nada me serve? Sou simples, o que não tira minha complexidade; sou sensível, o que não me isenta de ser uma fortaleza, sou escrita o que complementa meus sentimentos... também por você. Tenho dificuldades em entender o tamanho que isso toma dentro de mim, de perceber até onde ecoa essas frases lidas apenas por olhos, mal pronunciadas por alguém; estão ali para serem descobertas ainda. O que fará quando perceber que elas estão sendo pronunciadas por outras bocas, ouvidas nitidamente por outros por aí e, claro, sentidas nos lugares m...

Me beije

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No exato momento que entrou no restaurante eu soube que era você. Não pelo desconforto imediato que ele demonstrou, não sei, acho que foi o seu magnetismo mesmo. Passou levemente pela mesa, balançou meus cabelos com o movimento suave dos quadris, deixou um pouco do doce perfume e, ali, tive a certeza de que era você. Não nego que já havia visto sua foto, pessoalmente é muito mais bonita. Não esperava outra coisa mesmo, nota-se que há motivos para ter acontecido tudo como foi. Continuei ali, mantendo a conversa inicial. E nem estava tediosa, pelo contrário. Ainda assim fiz questão de que sua presença não fosse notada, pelo menos para que ele não soubesse que eu lhe reconheci de imediato. Acho que nem passou pela cabeça dele que eu sabia, eu sabia de tudo. O olhar dele lhe procurou sorrateiro, devagar, por cada canto do ambiente. Me surpreendeu que não conseguisse lhe localizar tão logo... era só sentir o rastro do aroma adocicado que seu perfume deixou no ar; ou só eu senti insistenteme...

Caminho sem volta

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A transgressão, ainda que mansa e sutil, quando periódica, pode ser avassaladora e sem volta! Percebi isso enquanto eu caminhava num passo lento, em sua direção. Não me preocupei em olhar para trás, só segui adiante, apenas por capricho meu... ou necessidade? Quis satisfazer meu ego e sentir o gosto, novamente, de ser adorada. No início era apenas a autorização de ver-me. Só, de longe, sem toques nem trocas de palavras. Fingia eu que nem sabia que estava a me espiar. Isso me deixava cheia de vontades internas a ponto de um rubor quente tomar conta do meu rosto e não ter como negar qualquer emoção à tona. Neste tempo eu lembrava como gostava de passar os dedos pelos meus cabelos lisos, sem pressa, fio a fio, só para senti-los escorrer. Era uma maneira de sentir-me, sei. Até aqui eram apenas lembranças. Jamais imaginei que seria um fato novamente, recente. Passou a mandar recadinhos. Mensagens como bem entendesse. O objetivo é que chegassem a mim. Se alguém saberia ou não, seria uma cons...

Voraz ainda que silencioso

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Será que eu perdi aquele mistério que lhe fez intrigado a ponto de querer  entender-me? Acho que esse ‘ar’ enigmático é o que nos move num primeiro momento, que nos dá vontade de desvendar o que quer que seja, só pelo prazer de descobrir o novo.  Talvez seja por isso que hoje passo mais dias só do que com você: sou totalmente conhecida. Eu diria mesmo é que sou verdadeira, mas há quem goste de contrariar-me sobre meus próprios pensamentos, então simplifico dizendo que já me conhece por demais e pode ser isso que nos afetou. Será? E mais, será que é só pra você que isso faz diferença. E quanto ao que você tem representado pra mim? Pois bem, aqui vai mais um aviso do que uma mensagem melancólica de quem quer resolver as coisas, afinal, já falei que podíamos nos reconectar um milhão de vezes, mas isso só nos fazia perder-nos ainda mais; então, pense agora no caso de eu não querer mais resolver e sim fazer o mesmo com você.  Sem que saiba, sem que veja, sem que sinta... apena...

Mais um fim

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Ao fundo, além da sua voz, escutei aquele som gostoso de chuva a cair. Fiquei imaginando o cheirinho que subiria com a água a molhar do solo, o frescor que seria deixar que a chuva chegasse ao encontro, pelo menos, das mãos, que certamente também iriam de encontro ao rosto... deixando até a ideias menos tensas. Tentei focar no que dizia, escutar apenas o som da sua voz, mas parecia tão baixinha em relação a tudo que estava acontecendo, inclusive o caos dentro de mim. Enquanto ousava falar insistentemente, ainda que percebendo meu imenso desinteresse, fiquei a lembrar das noites que era apenas isso que eu queria ouvir: o som da sua voz. Noites distantes, que passávamos a conversar banalidades, fragilidades, intimidades... coisas assim. Lembra? Horas que passavam sem nem ao menos percebermos. O que mudou? A inquietude em seu olhar tomou força, o sorriso ficou forçado e a voz... ah, esta perdeu realmente a veludez. Não era mais você meu destino esperado ao fim do dia. Mas, o que me doía m...

Não é o meu caos

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É comum acordar nas manhãs de outubro com o céu repleto de nuvens, cheirinho de chuva por vir. Um dia mais fechado, melancólico... Hoje não foi diferente disso. O sol perdeu a força em saiu de cena, deixando a negritude das nuvens mais carregadas tomarem conta do meu dia, especificamente do meu dia. E eu também fui bem permissiva! Abri a janela e deixei entrar essa taciturnidade imensa que imperou nas primeiras horas de um dia qualquer de outubro! É, um dia qualquer. Nem fiz questão de saber a quantas estamos no calendário, nem o dia da semana procurei lembrar. Era um dia em que se propõe a simplesmente passar... as horas, as gotas de chuva, as tristezas marcadas no coração... Não estava sofrendo de tédio, era tristeza. Gosto de chorar minhas mágoas, é comum. Tirei o dia, inspirador – diga-se de passagem, propício – a chorar tudo aquilo que não tive tempo. Nada agendado, não foi um encontro marcado com o meu lamentar, apenas fui sugestionada a isso... e não vamos deixar de dar crédito ...