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Sou excesso e sua falta não cabe aqui

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O tempo obrigatoriamente passa, os sentimentos mudam e as pessoas passam a se mostrar ligeiramente diferentes do que inicialmente. Isso tudo acontece quase que de forma indispensável, o que não quer dizer que é sempre bom, não quer dizer que mudam para melhor. Deve ter sido isso que aconteceu conosco. A mudança nos deixou desconexos, as alterações de quereres nos distanciou. Isso é simplório, fácil de perceber. Eu queria seu colo, seu aconchego, seu afago. Você se tornou liberto, volátil e independente. Sofria com a distância imposta pelo nosso dia a dia e você se aproveitou dela para alcançar situações fora da minha percepção. Ainda me encantava seu leve sorriso e você detestava minha alegria, ainda que fosse por sua presença. A cama ficava vazia sem sua presença a esquentar debaixo do edredom, para você era apenas uma necessidade biológica: dormir. Tentei reconciliar-me com meus sentimentos mais primórdios, aqueles que instigou no início da nossa história, e você fez questão de enter...

Me queira assim

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E se eu for mesmo insana, isso muda alguma coisa? Não foi a minha irreverência que tocou sua monótona existência? E se eu for mesmo piegas, qual o problema? A profundidade do sentimento só nos gera incentivo a conquistá-lo. Nem digo compreendê-lo, mas senti-lo em sua totalidade. E se eu for mesmo melancolia latente, no que interfere? Simplesmente mostre-me que há dias em que o sorriso é sincero e a felicidade impera, pelo menos neste dia. E seu eu disser que sou desconfiada, pra onde isso te leva? As lembranças de um passado vivido deixam marcas, às vezes, eternas. Isso não me faz menos intensa, pelo contrário, a vontade de viver os momentos toma uma amplitude gigantesca, a ânsia de uma experiência positiva torna-se maior. Para cada particularidade há uma potencial saída de mestre. Não procure entender o que nem sempre é compreensível. Até porque 'entender' tem suas limitações. A completude do 'sentir' não está no entendimento... Há de se ficar apenas pelo fato de quere...

Antigamente

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𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 a gente apenas sentava na calçada pra ver o tempo passar, pra sentir o cheirinho do jantar do vizinho ou mesmo esperar a volta dos nossos para casa, do trabalho. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 um abraço era sustento de uma relação, era fonte de inspiração, era carinho e demonstração, de que muito se cuidava do coração alheio. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 pipoca era lanche da tarde, refrigerante não tinha marca e 'geladinho' era comprado nas carrocinhas que passavam no bairro. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 os pais não gritavam, comandavam pelo olhar, filho obedecia sem questionar e isso, com certeza, era educar. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 dá saudade. Vivo o hoje, claro! Mas antigamente tem um charme, um 'quê' de uma época mais bem vivida, mais descomplicada. Hoje não se constrói '𝓪𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮𝓼'. O presente é para ser apreciado, e o passado lembrado. Até que ponto estamos colhendo recursos para termos um '𝓪𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮' lá na frente?

Qualquer cuidado é pouco!

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É uma frase tão simples, palavras (escritas) bem fáceis de compreender, mas, o significado disso, o conceito mesmo da frase é imensamente distante da realidade, seja de qualquer relação que esteja pensando. Aqui esbarramos em reflexões de cuidados físicos. Muito latente em pais, né? Cuidar dos filhos é difícil, fazê-los entender que estamos cuidando deles é complicado porque não vai de encontro com o que eles querem momentaneamente. Mesmo que em nossa cabeça fique martelando que ‘qualquer cuidado é pouco!’  Mas vamos além de cuidados físicos. Até porque eles acabam sendo consequência do que sentimos: ora, se amo, quero o melhor, faço o meu melhor e cuido da melhor forma possível. Quero, também, que pensemos em cuidados com a alma, com os sentimentos alheios, com o nossos ‘quereres’ também. Qualquer cuidado é pouco porque cada pessoa tem uma maneira de sentir, de ver, de entender a realidade, de querer intensamente ou dar pouca importância para o alheio. Falar rud...

Apenas uma pretensiosa carta

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Parece antiquado o fato de escrever-lhe carta em momentos que a comunicação é digital e tão rápida atualmente. Mas acho que a intensão é não ser rápida e sim certeira, intensa. Se fosse lhe escrever por mensagem iria ler e querer responder tão logo. E onde ficaria o sentimento de cada letra escrita por meu próprio punho? Onde estaria a reflexão já que a estaria lendo sozinho, num conforto de horário e local (que nem sempre o celular nos concede)? Onde estaria a sensibilidade de entender que a coisa é séria por procurar uma forma não convencional para lhe comunicar? Sim, chega a ser um comunicado. Após tantas tentativas de conversa, alerta, pedido, súplicas... chegou o momento de apenas lhe comunicar como será daqui pra frente...  Comunico a você que apesar de todos os nossos desentendimentos, eu prefiro estar em sua companhia. Há sim momentos em que a solidão serve de reflexão, mas momentos, específicos, únicos e pontuais. Comunico a você que, caso ainda não tenh...

Chegou a primavera

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Era um dia comum. O sol saiu cedo, já tentando esquentar a cama pela fresta da janela. Ainda fazia um leve frio, por aqui, mesmo no inverno o calor se faz mais presente que em qualquer canto do país. Tentei sair da cama com os lençóis ainda bagunçados, notei que tinham seu cheirinho; e só! Demorei a entender que era o dia após, o dia imediatamente após sua partida. Tão logo lembrei disso, joguei-me no travesseiro novamente, insistindo que seria um dia que não valeria a pena ser vivido, queria que passasse logo, queria que não tivesse ido, queria, na verdade, que nunca tivesse vindo. E se eu nunca tivesse lhe conhecido? E se eu não tivesse permitido me apaixonar? E se eu tivesse insistido que não queria compromisso? São suposições tão distantes... conhece-me, impossível não cair em tamanha tentação. Mais piegas que eu? Não sei, não vi... Volta-me aos pensamentos como foi sua partida. Desta vez, sento na cama e decido entre sair e iniciar minha rotina, ou esperar que acont...

Sentindo

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Ainda que nestes dias o sol apareça sinto um ventinho leve, que me fez querer pegar a blusa que você jurou que não iria usar. Além da blusa, providencio uma xícara de café, minha companheira... principalmente quando o tempo teima em passar sem me dar motivo algum para aproveitá-lo. Acho que é isso que pensamos num momento de tédio, deve ser isso apenas. E é nesses momentos também que nos pegamos a refletir sobre bobagens. Como a que me disse ontem sem nem perceber o quanto me atingiu. Era uma conversa distraída, sem segundas intenções mas bateu fundo. Se bem que atinjo-me fácil fácil, é uma das vertentes de ser tão intensa... Mas não me culpo, não me mudo, não acho que o resultado do que sinto seja apenas responsabilidade minha... conversa antiga essa, não? Ela se repete porque há muita verdade nela! Simples! Encho um pouco mais a xícara, vi que as reflexões serão longas e sem a sua companhia... ainda dormindo, parece que nada o atinge, segue a vida sem o menor incômodo....