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Fortaleza

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As pequenas e belas pétalas que caem ao chão enquanto as folhas balançavam as copas me lembrou do quanto eu tinha a agradecer. Enquanto passeava pela estradinha do parque percebi a beleza que começa neste período. Coincidentemente é uma época muito especial por aqui… Resolvi dar-me este tempo a sós. Repensar qualquer coisa necessária… Os bancos estavam convidativos, o tempo fresco, difícil acontecer aqui, mesmo à noitinha. Não se via a lua e apenas raras estrelas. Foi nesse momento tão calmo que algo inquietante me surgiu no peito. Como esses dias são importantes! Sim, é neste período que comemoro ‘você’, intimamente ainda mais fervorosa! De várias formas mas com a mesma intensidade de três anos atrás, de quando me vi envolvida nos seus braços dançantes e abraços conquistadores… Ao longo dessa convivência sua presença se tornou especial. Sua calma me acalenta, sua paciência me surpreende, sua postura me ensina. Não esperaria menos deste sentimento que cresce comigo. ...

Recordações

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Dia desses estava garimpando algumas fotos bem guardadas no fundo do armário para montar um álbum. Lembro que quando eu era mais nova era uma diversão ver álbuns… De formatura, casamento, bebês; geralmente eram temáticos. Deles saíam cada história! Lembranças mesmo. De quando a tia veio passar o Natal e reuniram-se para uma ’pastelada’ em família, ou do cachorrinho novo que conquistou todos na casa, da amiga antiga que hoje não sabe-se onde está… Fotos desconexas, sem ângulo, às vezes sem foco (tínhamos que revelar todas) e o mais importante pra mim: sem pose! Como é chato esse negócio de montar um cenário para tirar foto. Isso acontecia, antigamente,  quando ia-se em estúdio e fazia um book, com um profissional e tal, mas hoje não, é sempre arrumado, não tem mais espontaneidade, é tudo montado.   Arruma o cabelo, ajeita a manga do vestido, vira o rosto para que o melhor lado saia na foto… Que coisa chata, sem graça! O legal era ver a risada de boca aberta mostrand...

És sabia!

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Minha admiração sempre foi muito discreta. Acho que pela nossa proximidade achava que não havia necessidade de lhe contar sobre as coisas que lhe via fazer e achava lindo, genial, inteligente ou mesmo ingênuo. Pelo contrário, estava ali perto para lhe dizer do que eu não achava certo. Que coisa! Você, com toda sabedoria, soube esperar que eu mesma enxergasse o quanto sabia lidar com as mais adversas situações. Sentia calada, interiorizando cada crítica que eu fazia e, ainda sim me perdoava sem eu saber que tinha ser. Emocionalmente forte como a rocha que permanece intacta mesmo com o bater fortes das ondas no mar em fúria, você segurou as pontas. Como ainda podia achar que era frágil? Que era apenas coadjuvante em nossas vidas? Mal sabia que a peça era em torno de você! Só agora percebo a influência que sempre teve em todas as minhas decisões; e fez isso tão discretamente, sem necessidade de assinatura por onde passava. Só agora vejo que não teria o rumo que tenho hoje s...

Só de passagem

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As pétalas delicadas, branquinhas, aguardavam meu carinho matinal na janela já aberta do quarto. A brisa que pela manhã chegava mansa balançava os frágeis galhos e liberava o perfume sutil da pequena flor. A presença do vasinho ali era prova de que ele já me visitara. Era assim: rápido e imperceptível. Vinha apenas para me ver dormir as poucas horas que restavam da manhã, aparecia quando os raios do sol já me despertavam o profundo descansar. Mesmo sem vê-lo, só por notar o pequeno mimo deixado, me sentia completa, segura. Como era carinhoso o cuidado dele! Todos os dias as mesmas pétalas delicadas e branquinhas. Dizia que pareciam comigo, pele alva, cheiro de flor. Sinto falta de quando ele vinha por mais tempo, não apenas de passagem. Sua estadia demorava um pouco mais e se apresentava mais intensa. Quando vinha, me despertava e, juntos esperávamos acordados o amanhecer. Dizia que me ver à luz do dia fazia mais jus à minha beleza, que a via plena, por isso as visitas duran...

Para você que estava em coma nos últimos dois anos...

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Para você que estava em coma nos últimos dois anos, perdeu a chance de ver o Botafogo ser campeão carioca, de perceber que beijo heterossexual na novela das oito é o que é estranho hoje e que o Brasil virou um canteiro de obras sem você nem entender quando acabará… Aí vai uma série de ‘news’ que você pode ter perdido também.   ‘Se liga’, muita coisa mudou mas, ‘fica de boa’, você ainda pode se atualizar e ficar ‘in’. Saiba que o que está pegando entre a galera é ‘sensualizar’ com uma dança de cabeça pra baixo, rebolando o quadril em frenéticos movimentos com pausas marcadas. Não entendeu? Joga na net: quadradinho de oito. Ah, pra falar a verdade nem precisa, veja aquele programinha com a filha da garota de Ipanema… ela faz ao vivo, na tv, aberta, acessível às crianças, à tarde… Não é só isso não. Quando casal famoso briga por aí é ‘supercomum’ se vingar fazendo topless. Virou moda depois que uma dessas mulheres frutas aí resolveu tirar a blusa numa boate ‘nos estrangeir...

João 'Perigoso'

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Ah, há muito que se contar, as histórias são diversas sobre essa ‘figurinha’. Na verdade, sobre o casal, mas, Dona Vera com certeza é um capítulo à parte. Vô Jório antigamente era conhecido como João ‘Perigoso’, fama essa que quase impediu o casamento de vovó. Naqueles tempos moça de família não podia se enrabichar por rapaz ‘soltinho’… Tanto era danado, João ‘Perigoso’ ficou conhecido por um episódio dentro do cinema da cidade. Ele, acompanhado de um amigo (comparsa), assistiam a um filme que retratava a vida de Maria Antonieta, numa das cenas, a dita cuja parava, olhava para trás e seguia novamente. Joãozinho, que não canso de chamar de peralta, terminou sua sessão e pediu ao amigo que continuasse para assistir a outra, com o mesmo filme. Chegada a cena descrita, apareceu Maria Antonieta, João gritou: ‘Maria Antonieta!’, ela (como ele já sabia) olhou para trás, ele continuou sua participação: ‘Não é nada não, pode ir’ e ela seguiu. Essa meninice arrancou risadas de quem es...

É o balançar

Ainda deitada, sonolenta, preguiçosa, abriu os olhos lentamente, incomodada pela luz matinal que teimava em entrar pela janela. A deixavam aberta todas as noites a fim de deixar o quarto mais fresquinho. Antes de pensar em levantar, desligou o alarme do celular – não queria acordá-lo, dormia tão bonito, como alguém que realmente precisava e gostava de um sono, peculiarmente, profundo. Afastou os cabelos curtos dos olhos e conseguiu vê-lo. Sem se mexer, quietinha, observou ainda mais de perto, a ponto de sentir sua respiração. Sorriu, sozinha. Por minutos ficou aqui, sentindo, tudo. Lembrou que tinha que levantar, mais um dia começava, ainda tinha que acordar os demais que saiam no mesmo horário. Não quis. Relaxou o corpo e deixou-se deitar mais uns instantes. Dessa vez o tocou. Passou a mão por sua nuca, delicadamente, não queria mesmo acordá-lo. Deixou a mãe deslizar para as costas, suada, um molhado excitante, adocicada… A luz ainda incomodava, procurou abrigo no cor...