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Me perdi

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Photography/style: Alexander Kuzmin Sinto falta dele como alguém que tem enxaqueca e de repente se fez saudável. Eu gostava da presença dele sem nem imaginar que, na verdade, era um costume, um hábito ruim. Ele me faz falta como quem não tem mais liberdade de ser só. É faltante a presença dele pelo simples fato de que não sei quem sou a não ser quando ele está por perto. Eu acho que não enxerguei o perigo de querê-lo por perto porque a fantasia encanta, o que eu pensava dele era mais gostoso vivenciar do que enxergar a realidade. Apesar de me deixar levar, não me culpo por isso; boba, ansiava por espaço, um espaço meu... e ele me deixou pensar que eu tinha. Hoje vejo como é curioso não saber dizer quem sou – só que não sou mais dele. Isso não me basta. Também não sei se quero descobrir, contar a você que me lê e então, fazer ser verdade. Sempre tive em mente que a verdade falada acaba se materializando e não sei se tenho pulso firme para ser, de verdade, eu mesma. Sinto que tenho um pe...

Observe

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E que fique registrado que apenas escrevo o que sinto, opino sobre o que penso muito a respeito e tenho sentimentos vários, voláteis, fugazes e por vezes latentes. Falo isso porque esperou de mim uma resposta que eu realmente não sabia como lhe dar. Secamente respondi e deixei no ar, com um olhar blasé, dando a impressão de que ignorei a importância do meu retorno a você. Mas não foi isso... Custa-me deixar-lhe ir. Sim, claro. Gosto de tê-lo aqui, de vê-lo me observar (mesmo achando que não percebo), de acariciar-me apenas com os olhos e de desejar-me com seu corpo inteiro. Mas nada disso pode ser dito, não em voz alta... poderia ser apenas aquele sussurro ao ouvido, bem baixinho, mais como uma confissão proibida, bem proibida. Nem eu nem você podemos deixar isso ir adiante. Nunca deixamos, ainda mais agora. Há tempos isso nos persegue, um sentimento de que nos pertencemos, mas não somos autorizados a continuar e, sério mesmo, não tenho pretensão. Não, nada de amor proibido, por favor ...

Sou excesso e sua falta não cabe aqui

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O tempo obrigatoriamente passa, os sentimentos mudam e as pessoas passam a se mostrar ligeiramente diferentes do que inicialmente. Isso tudo acontece quase que de forma indispensável, o que não quer dizer que é sempre bom, não quer dizer que mudam para melhor. Deve ter sido isso que aconteceu conosco. A mudança nos deixou desconexos, as alterações de quereres nos distanciou. Isso é simplório, fácil de perceber. Eu queria seu colo, seu aconchego, seu afago. Você se tornou liberto, volátil e independente. Sofria com a distância imposta pelo nosso dia a dia e você se aproveitou dela para alcançar situações fora da minha percepção. Ainda me encantava seu leve sorriso e você detestava minha alegria, ainda que fosse por sua presença. A cama ficava vazia sem sua presença a esquentar debaixo do edredom, para você era apenas uma necessidade biológica: dormir. Tentei reconciliar-me com meus sentimentos mais primórdios, aqueles que instigou no início da nossa história, e você fez questão de enter...

Me queira assim

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E se eu for mesmo insana, isso muda alguma coisa? Não foi a minha irreverência que tocou sua monótona existência? E se eu for mesmo piegas, qual o problema? A profundidade do sentimento só nos gera incentivo a conquistá-lo. Nem digo compreendê-lo, mas senti-lo em sua totalidade. E se eu for mesmo melancolia latente, no que interfere? Simplesmente mostre-me que há dias em que o sorriso é sincero e a felicidade impera, pelo menos neste dia. E seu eu disser que sou desconfiada, pra onde isso te leva? As lembranças de um passado vivido deixam marcas, às vezes, eternas. Isso não me faz menos intensa, pelo contrário, a vontade de viver os momentos toma uma amplitude gigantesca, a ânsia de uma experiência positiva torna-se maior. Para cada particularidade há uma potencial saída de mestre. Não procure entender o que nem sempre é compreensível. Até porque 'entender' tem suas limitações. A completude do 'sentir' não está no entendimento... Há de se ficar apenas pelo fato de quere...

Antigamente

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𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 a gente apenas sentava na calçada pra ver o tempo passar, pra sentir o cheirinho do jantar do vizinho ou mesmo esperar a volta dos nossos para casa, do trabalho. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 um abraço era sustento de uma relação, era fonte de inspiração, era carinho e demonstração, de que muito se cuidava do coração alheio. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 pipoca era lanche da tarde, refrigerante não tinha marca e 'geladinho' era comprado nas carrocinhas que passavam no bairro. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 os pais não gritavam, comandavam pelo olhar, filho obedecia sem questionar e isso, com certeza, era educar. 𝓐𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮 dá saudade. Vivo o hoje, claro! Mas antigamente tem um charme, um 'quê' de uma época mais bem vivida, mais descomplicada. Hoje não se constrói '𝓪𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮𝓼'. O presente é para ser apreciado, e o passado lembrado. Até que ponto estamos colhendo recursos para termos um '𝓪𝓷𝓽𝓲𝓰𝓪𝓶𝓮𝓷𝓽𝓮' lá na frente?

Qualquer cuidado é pouco!

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É uma frase tão simples, palavras (escritas) bem fáceis de compreender, mas, o significado disso, o conceito mesmo da frase é imensamente distante da realidade, seja de qualquer relação que esteja pensando. Aqui esbarramos em reflexões de cuidados físicos. Muito latente em pais, né? Cuidar dos filhos é difícil, fazê-los entender que estamos cuidando deles é complicado porque não vai de encontro com o que eles querem momentaneamente. Mesmo que em nossa cabeça fique martelando que ‘qualquer cuidado é pouco!’  Mas vamos além de cuidados físicos. Até porque eles acabam sendo consequência do que sentimos: ora, se amo, quero o melhor, faço o meu melhor e cuido da melhor forma possível. Quero, também, que pensemos em cuidados com a alma, com os sentimentos alheios, com o nossos ‘quereres’ também. Qualquer cuidado é pouco porque cada pessoa tem uma maneira de sentir, de ver, de entender a realidade, de querer intensamente ou dar pouca importância para o alheio. Falar rud...

Apenas uma pretensiosa carta

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Parece antiquado o fato de escrever-lhe carta em momentos que a comunicação é digital e tão rápida atualmente. Mas acho que a intensão é não ser rápida e sim certeira, intensa. Se fosse lhe escrever por mensagem iria ler e querer responder tão logo. E onde ficaria o sentimento de cada letra escrita por meu próprio punho? Onde estaria a reflexão já que a estaria lendo sozinho, num conforto de horário e local (que nem sempre o celular nos concede)? Onde estaria a sensibilidade de entender que a coisa é séria por procurar uma forma não convencional para lhe comunicar? Sim, chega a ser um comunicado. Após tantas tentativas de conversa, alerta, pedido, súplicas... chegou o momento de apenas lhe comunicar como será daqui pra frente...  Comunico a você que apesar de todos os nossos desentendimentos, eu prefiro estar em sua companhia. Há sim momentos em que a solidão serve de reflexão, mas momentos, específicos, únicos e pontuais. Comunico a você que, caso ainda não tenh...