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Confesso

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Sim, confesso tudo sem vergonha de abrir a verdade a você. Hoje, hoje confesso sem constrangimento; há algum tempo essa mesma situação se deu de forma diferente. Mas, também admito que só o faço hoje, assim, pelo que você me fez passar. A distância que me obrigou a ter de você me fez repensar e assumir de vez o que fiz e pelo o que me arrependo profundamente. Confesso a saudade que tenho do cheirinho no ombro que você faz questão de ter para que, ao te abraçar, encoste bem ali e sinta o perfume que lhe dei. Confesso a saudade que tenho do incômodo gostoso do enroscar dos seus lisos cabelos em minha barba, teimando em me fazer tirá-los e suavemente arrastá-los do seu rosto, emendando num beijo terno. Ah, como confesso da falta que faz seu suspiro ao assistir uma cena de amor nos filmes que me fazia assistir aos domingos à tarde; saudade do encostar da sua cabeça em meu peito sentindo as batidas do meu coração e sua pergunta costumeira: bate mais forte por mim, né? Sem a m...

Melhor parte de nós dois

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Deitada na cama, cheia de determinações, pensei nas vezes em que estragou meu dia com seu comportamento avoado. Na verdade, repensei. Reformulei minha lembrança confessando que me chateei pelas centenas de vezes em que eu deixei que o fizesse comigo... Era apenas sua maneira de ver o amor... sem maiores implicações. Você achou que houve o fim porque sou demasiadamente exigente. Ó, antes fosse. Parou para pensar se não foi sua mansidão que passou dos limites? Deixou de cuidar-me. Abraçar-me, beijar-me... O que mais fazíamos que não conviver apenas? Pensa que estou a chorar, a sentir sua falta? Pois sim, estou. Foi meu mundo por longos anos. Bons anos, até que pararam de ser. Por isso o fim. Lhe disse desde o início que não tinha meio termo, que meu maior medo era que caíssemos na rotina, fôssemos engolidos por atividades diárias, monótonas que nos levassem com elas a mundos preto e brancos. E assim aconteceu. Ainda em meio aos lençóis, confirmando meus pensamentos aleatór...

Ter uma vida correta é mais fácil!

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Enquanto trabalho, ao longo do dia, gosto muito de escutar vídeos no YouTube; sim, escutar. Deixo o vídeo rolando e coloco fones (a vontade é minha e não do escritório inteiro), e fico a escutar alguns vídeos. Geralmente sobre filosofia, algumas ‘palestras motivacionais’ (um dia falarei sobre isso, não gosto muito da ideia sobre esse tema, acho que fantasiam muito sobre isso – tema para outro dia), explanações sobre sentimentos, enfim muitas reflexões sobre muitas coisas. Sinto-me provocada com tantas pessoas dizendo tantas coisas, visões diferentes e sobre temas que às vezes nem cheguei a refletir. Um dia desses escutei um palestrante sobre ‘ser ético’, ser fiel, sobre a tranquilidade e facilidade de se ter ‘a vida em dia’. Achei interessante pois, desde o início deste meu hábito nunca vi abordarem sobre esse assunto. Na verdade, nem eu algum momento pensei a respeito. Bom, achei interessante pelos argumentos lógicos que ele ponderou e que, eu, pessoalmente, em minha vida, prat...

Cuidar do outro é também cuidar de si

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Dia desses, esperando consulta médica numa clínica escutei, sem muita escolha – afinal a sala era pequena, a conversa de quem ali também esperava atendimento. Confesso que não achei ruim, essas discussões aleatórias e alheias são ótimas para reflexões próprias, bem estudo de caso, sabe, onde intimamente você aconselha de forma gratuita, com a certeza do certo a se fazer, mas sem dar ‘um pio’, claro. Bom, estava a escutar reclamações maritais. Pois sim, uma moça confidenciava à outra suas imensas e frequentes insatisfações com o marido que, pelo que entendi, já se relacionavam há um bom tempo. Entre as várias reclamações que escutei, e não as achei estranhas, eu mesma sou casada e me identifiquei bastante com alguns relatos, pensei a respeito dessa nossa expectativa do outro e, de como nós mesmos não atingimos as do companheiro. Partindo da ideia que, se estão juntos têm, no mínimo, alguns objetivos juntos ou gostam de algumas coisas que se complementam ou completam, conf...

Velhos hábitos

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Acredita que me peguei sonhando com você? Pois é rapaz, com você! Quem um dia imaginaria que isso iria acontecer novamente... Ah, memórias compartilhadas, histórias vividas, situações em comum nos trazem isso, não? Lembrei-me quando o vi pela primeira vez, nunca tinha sentido algo tão forte;  repentinamente caí de amores. Você foi meu melhor amigo, meu amor, quem achei que ficaria em minha vida pra sempre. De repente você se foi, levou apenas a mala velha que estava na garagem, algumas peças de roupa, o fone de ouvidos e a carta que tinha-me escrito. Pois é a carta, fiquei intrigada com isso. Por que a levaria? Será que era uma maneira de mostrar arrependimento pelo que estava escrito? Que queria voltar atrás? Não lhe cobrei nada...Fiquei sem reação, não sabia mais o que fazer diante desta partida inesperada e, não nego, dolorida! Meu coração se apagou, ficou vazio, isso por seu medo de se comprometer. Como disse, nem lhe cobrei nada além de reciprocidade que, ao meu ver...

Loucura sã

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Seus olhos verdes completavam sua beleza inacreditável, quase que insanos. Não eram apenas verdes, continham um brilho indescritível que, combinado com sua alva pele e lábios rosados, sim, deixavam-na irresistível. Fazia questão de manter os cabelos louros bem arrumados, ondulados, desciam pelos ombros num ar sensualmente natural. Ao mesmo tempo em que sua personalidade calma, branda, transparecia uma ingenuidade própria, beirando uma insensatez equilibrada. Morria de amores por ele, aquele que a despertou de tantas noites mal dormidas por amores nada acolhedores. Sempre que o encontrava amava-o como se fosse a última vez. Intensa sem medidas. Ou era assim ou sem encontros; casualmente não vivia, sentia que era maneira morna de viver. Foi assim num fim de tarde quente no pequeno vilarejo onde vivia. Aguardava a chegada dele, ansiosa, claro. As sedas brancas, frias escorriam pelas curvas do corpo, o batom ainda apresentava o vermelho que pretendia e a renda cobria sua per...

Meu vício!

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‘ Não sou muito boa em despedidas! ’ Dito isso, permaneci imóvel na cadeira que me acolhia há algum tempo e já me incomodava as pernas encolhidas junto ao corpo, desconfortavelmente. O cigarro na mão já se juntava ao cinzeiro com inúmeros outros, mal acabados, assim como nós. Cinzas ficavam por ali, significando nada mais do que algo que um dia foi e não o é mais. Nem me esforçava para limpar as pequenas sujeiras que ficavam na mesa empoeirada, eram apenas resquícios... Acendi outro, esperançosa pela nova sensação de uma nova tragada, em vão. Só me observava ali, com meu vício, enquanto eu confessava o outro: você mesmo. Entenda, vício! Como algo negativo, não me fez bem e não consigo deixá-lo ir. Quero-o longe. Preciso manter o respeito por mim mesma. Aos prantos só ordeno: Vá! Vá, sem volta. Sem recaídas. Não preciso de mais vergonha e melancolia. Não era incomum esta cena, não? Por isso mesmo que ela devia ter um ato final, este! Que seja este! A cada vez que bateu a ...