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Frescor da inocência

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A juventude ainda lhe fazia visita, na verdade acabara de chegar, seria uma companhia constante por algum tempo. O frescor do seu sorriso era nítido e transmitia alegria sem tamanho. Os cabelos desfiados e bagunçados pelo rosto não lhe tiravam o charme de menina… Pois sim, passava de menina para mulher. Por fora pouco se percebia… Seus olhos ainda tinham um brilho peculiar. Brilho que, somente aqueles que ainda não viram tudo na vida, têm. A simplicidade ainda era sua casa e conforto. Seus pés pisavam levemente pelo chão, ainda em descoberta deste novo caminho que estava por vir… Não enxergava as malícias ao redor nem que em si mesma podia ser despertada e, talvez, viraria uma marca própria… assim como a pequena pinta no canto direito da boca. Era ainda tão ingênua que tentava apagar a manchinha escura com pó de maquiagem, mal sabia que poderia conseguir muito com a tal pinta. As saias ainda eram rodadas, sem marcar curva alguma de seu corpo em formação. Não trocava a xí...

Acreditar e seguir

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A vontade é tomar as rédeas de cada situação adversa que apareça e fazê-la simplesmente se dissolver no tempo. Não sei se assim o aprendizado ainda seria válido, sei que quando o frio nos atinge, aperta o coração e congela as veias, é difícil lembrar onde Ele colocou o cobertor… Esquecemos também que, a fim de recuperar tal e qualquer controle, devemos, por vezes, renunciar a ele. Claro que por uma causa nobre, pelo menos assim acredita-se. Ao fazê-lo, acreditamos estar protegendo aqueles que amamos; aqueles sem os quais não podemos viver. Silenciosamente soltamos as amarras, sem muita fé mas com o mínimo de crença, achando que as situações serão escritas da forma como devem, mesmo que saiam ‘tortas’. Mas é num contexto ora perigoso que também deixamos escapar da memória que não e sempre que temos algum controle para renunciar… às vezes pior, descobrimos que a mais perigosa verdade nisso tudo é que controle é meramente uma ilusão. Pergunte-se qual o real controle que tem, de...

Vaso quebrado

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Pra conseguir passar por tantas situações adversas na vida temos que nos tornar artistas… Temos que aguçar e expandir nosso sentidos… Tornar a vida mais interessante com cores, toques, aromas, sons e gostos… Deixar que o universo interno, muitas vezes mais aconchegante, tome conta da realidade e nos tire dessa órbita cansativa! Claro que há exceções, não generalizo. Pois bem, pensando assim, e quando o contrário é mais certo? E quando os nossos sentimentos são mais negativos que o que nos rodeia? Aí a coisa fica séria… Não há fuga! É como se não houvesse nenhuma partitura a tocar, nenhum quadro a pintar nem folha em branco a escrever… Já está tudo preenchido e da pior forma possível. Sabe que não é difícil ver essa situação… às vezes acontecem por motivos tão banais: paixões perdidas, caprichos sem rendição, ou apenas o vento que sopra errado e nos bagunça os cabelos. É nessa hora que também não se enxerga nenhum abraço. Vira uma doença, corrói o que nos torna vivos, turva a...

Espaço para felicidade

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Pra conseguir passar por tantas situações adversas na vida temos que nos tornar artistas… Temos que aguçar e expandir nosso sentidos… Tornar a vida mais interessante com cores, toques, aromas, sons e gostos… Deixar que o universo interno, muitas vezes mais aconchegante, tome conta da realidade e nos tire dessa órbita cansativa! Claro que há exceções, não generalizo. Pois bem, pensando assim, e quando o contrário é mais certo? E quando os nossos sentimentos são mais negativos que o que nos rodeia? Aí a coisa fica séria… Não há fuga! É como se não houvesse nenhuma partitura a tocar, nenhum quadro a pintar nem folha em branco a escrever… Já está tudo preenchido e da pior forma possível. Sabe que não é difícil ver essa situação… às vezes acontecem por motivos tão banais: paixões perdidas, caprichos sem rendição, ou apenas o vento que sopra errado e nos bagunça os cabelos. É nessa hora que também não se enxerga nenhum abraço. Vira uma doença, corrói o que nos torna vivos, turva a...

Como se cuida de alguém?

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Como se cuida de alguém? Não faço a reflexão sobre filhos ou pais que já necessitam de cuidados, mas de um companheiro… Alguém com quem se escolhe passar bons momentos por muito tempo, acreditava-se que eternamente… Hoje, acho que isso já mudou. Mas é essa a questão, como se cuida de quem se escolhe amar? Sem pensar em apenas alimentar, vestir, oferecer teto… consideradas condições básicas. Neste ponto tenho uma visão mais romântica da convivência, mesmo que entendendo que possa ser curta. Vejam, entendendo e não pretendendo! Claro que falo dos cuidados emocionais. Daquele ‘bom dia’ logo cedo e que pode nos proporcionar boas energias para realmente começarmos o dia… Ou um sorriso ainda na cama mostrando a satisfação da companhia que se estende por todos os dias sem cansaço. Cuidado em ligar durante o expediente apenas para checar o bem estar alheio. Ou o carinho inesperado diante de um filme complexo, que requer sua atenção… não tanto quanto a companhia. A lembrança de d...

Piegas

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Sempre de olhos baixos, sem olhar nem para o caminho que seus próprios pés seguiam. Tinha uma personalidade incrível, porém, muito quieto. Tinha um mundo interno totalmente único, obscuro, distante. Tímido, falava baixinho, calmo e com uma polidez sem igual. Até mesmo seus carinhos eram suaves. Carinhos esses que somente os extremamente íntimos sabiam que ele fazia. Sua maior extravagância foi ‘dredear’ os cabelos. Como ficou diferente! Depois disso soube conversar olhando nos olhos, de alguns pelo menos. Gostava de rock e roupas escuras. Poderia parecer um clichê mas, bem diferente disso. Ele era especial, realmente único. Inteligente pra caramba. Éramos muito diferentes. Mas sabe o que me fez aproximar dele? A curiosidade. Sim, de como ele lidava com sentimentos, desejos, libido. Acho que foi uma das melhores curiosidades que tive. Parecia que a sua introspecção se fazia um monstro interior e, quando resolvia colocar para fora, vinha como elogios inéditos. Lemb...

Nós duas!

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Dia desses apareceu aqui no meu portão. Até me assustei, há tempos não nos víamos, nem nos falávamos. Depois do nosso último infeliz encontro achei que a distância seria mais apropriada. Chegou com cara de quem queria desabafar, como se algo a incomodasse muito. Fiquei sem reação a princípio, mas, com certeza, gostei da visita inesperada. Tanto que não consegui disfarçar o sorriso maroto no canto da boca, nem o brilho no olhar… e deveria ter feito! Sem pensar muito, nem deixá-la falar sobre a vinda, a abracei. Suspirei em seu ouvido e isso fez com que chorasse baixinho. Senti o soluço retido no peito como que querendo esconder um sentimento doído. Ao fim, ela também apenas suspirou… Ainda sem trocarmos nenhuma palavra, abri o portão e ela entrou, foi até a sala e sentou no sofá. Com as mãos delicadamente postas nos joelhos ela me olhou. Já estava com lágrimas prestes a cair quando limpou orgulhosamente a face. A fitei por um tempo, observei seus cabelos mexerem com o fra...