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Vaso quebrado

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Pra conseguir passar por tantas situações adversas na vida temos que nos tornar artistas… Temos que aguçar e expandir nosso sentidos… Tornar a vida mais interessante com cores, toques, aromas, sons e gostos… Deixar que o universo interno, muitas vezes mais aconchegante, tome conta da realidade e nos tire dessa órbita cansativa! Claro que há exceções, não generalizo. Pois bem, pensando assim, e quando o contrário é mais certo? E quando os nossos sentimentos são mais negativos que o que nos rodeia? Aí a coisa fica séria… Não há fuga! É como se não houvesse nenhuma partitura a tocar, nenhum quadro a pintar nem folha em branco a escrever… Já está tudo preenchido e da pior forma possível. Sabe que não é difícil ver essa situação… às vezes acontecem por motivos tão banais: paixões perdidas, caprichos sem rendição, ou apenas o vento que sopra errado e nos bagunça os cabelos. É nessa hora que também não se enxerga nenhum abraço. Vira uma doença, corrói o que nos torna vivos, turva a...

Espaço para felicidade

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Pra conseguir passar por tantas situações adversas na vida temos que nos tornar artistas… Temos que aguçar e expandir nosso sentidos… Tornar a vida mais interessante com cores, toques, aromas, sons e gostos… Deixar que o universo interno, muitas vezes mais aconchegante, tome conta da realidade e nos tire dessa órbita cansativa! Claro que há exceções, não generalizo. Pois bem, pensando assim, e quando o contrário é mais certo? E quando os nossos sentimentos são mais negativos que o que nos rodeia? Aí a coisa fica séria… Não há fuga! É como se não houvesse nenhuma partitura a tocar, nenhum quadro a pintar nem folha em branco a escrever… Já está tudo preenchido e da pior forma possível. Sabe que não é difícil ver essa situação… às vezes acontecem por motivos tão banais: paixões perdidas, caprichos sem rendição, ou apenas o vento que sopra errado e nos bagunça os cabelos. É nessa hora que também não se enxerga nenhum abraço. Vira uma doença, corrói o que nos torna vivos, turva a...

Como se cuida de alguém?

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Como se cuida de alguém? Não faço a reflexão sobre filhos ou pais que já necessitam de cuidados, mas de um companheiro… Alguém com quem se escolhe passar bons momentos por muito tempo, acreditava-se que eternamente… Hoje, acho que isso já mudou. Mas é essa a questão, como se cuida de quem se escolhe amar? Sem pensar em apenas alimentar, vestir, oferecer teto… consideradas condições básicas. Neste ponto tenho uma visão mais romântica da convivência, mesmo que entendendo que possa ser curta. Vejam, entendendo e não pretendendo! Claro que falo dos cuidados emocionais. Daquele ‘bom dia’ logo cedo e que pode nos proporcionar boas energias para realmente começarmos o dia… Ou um sorriso ainda na cama mostrando a satisfação da companhia que se estende por todos os dias sem cansaço. Cuidado em ligar durante o expediente apenas para checar o bem estar alheio. Ou o carinho inesperado diante de um filme complexo, que requer sua atenção… não tanto quanto a companhia. A lembrança de d...

Piegas

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Sempre de olhos baixos, sem olhar nem para o caminho que seus próprios pés seguiam. Tinha uma personalidade incrível, porém, muito quieto. Tinha um mundo interno totalmente único, obscuro, distante. Tímido, falava baixinho, calmo e com uma polidez sem igual. Até mesmo seus carinhos eram suaves. Carinhos esses que somente os extremamente íntimos sabiam que ele fazia. Sua maior extravagância foi ‘dredear’ os cabelos. Como ficou diferente! Depois disso soube conversar olhando nos olhos, de alguns pelo menos. Gostava de rock e roupas escuras. Poderia parecer um clichê mas, bem diferente disso. Ele era especial, realmente único. Inteligente pra caramba. Éramos muito diferentes. Mas sabe o que me fez aproximar dele? A curiosidade. Sim, de como ele lidava com sentimentos, desejos, libido. Acho que foi uma das melhores curiosidades que tive. Parecia que a sua introspecção se fazia um monstro interior e, quando resolvia colocar para fora, vinha como elogios inéditos. Lemb...

Nós duas!

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Dia desses apareceu aqui no meu portão. Até me assustei, há tempos não nos víamos, nem nos falávamos. Depois do nosso último infeliz encontro achei que a distância seria mais apropriada. Chegou com cara de quem queria desabafar, como se algo a incomodasse muito. Fiquei sem reação a princípio, mas, com certeza, gostei da visita inesperada. Tanto que não consegui disfarçar o sorriso maroto no canto da boca, nem o brilho no olhar… e deveria ter feito! Sem pensar muito, nem deixá-la falar sobre a vinda, a abracei. Suspirei em seu ouvido e isso fez com que chorasse baixinho. Senti o soluço retido no peito como que querendo esconder um sentimento doído. Ao fim, ela também apenas suspirou… Ainda sem trocarmos nenhuma palavra, abri o portão e ela entrou, foi até a sala e sentou no sofá. Com as mãos delicadamente postas nos joelhos ela me olhou. Já estava com lágrimas prestes a cair quando limpou orgulhosamente a face. A fitei por um tempo, observei seus cabelos mexerem com o fra...

Eu encho o saco!

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Descobri recentemente um texto de Martha Medeiros que me instigou muito. Gosto demais do trabalho dela, leio textos aleatórios, livro mesmo ainda não possuo – confesso com certa vergonha. Mas este texto… ah!  “Não canse quem te quer bem” é o título. Ele detalha diversas situações em que somos inconvenientes e cansamos, por banalidades, pessoas que nos estimam. Me identifiquei não pelas passagens em si que ela expõe, mas, com o título mesmo. Esta semana, inclusive, cansei alguém que me ama. Na verdade, acho que faço isso com mais frequência do que eu gostaria e consiga confessar. O pior é que, como ela coloca, é como um ímpeto quase impossível de segurar. Bom, em minha defesa alego que isso acontece não com o objetivo de gerar discussões ou mal estares.  É mais como uma forma de chamar atenção, ou ainda, como Martha coloca, que as ‘Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto’. No meu caso, anseio por este afeto alheio… um ponto positivo, ainda tentando não m...

Para o amor não encontrado

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Nas cartas que trocávamos desde a época em que ela se mudou, de tudo escrevíamos. Ali não sentia nenhum constrangimento. Recordava lembranças de infância, a saudade que sinto dos meus distantes, as frustrações que tenho por imaturidade minha e as confusões sentimentais que me atormentam nas noites mais longas. Na verdade este é o assunto mais abordado, tanto por ela quanto por mim mesmo. O tema comum me conforta, saber que tenho companhia na dúvida me faz entender que sozinho não estou. Me fazia bem ler nas linhas espaçadas aquela letrinha dela tão bem feita, desenhada, diferente das padronizadas e frias das telas do computador. Sim, sou adepto ao retrô (mais charmoso de se dizer). O envelope sempre vinha com algum detalhe diferente do anterior. Ou era uma letra, sinal ortográfico ou mesmo um pequeno desenho mal feito, mas, delicadamente colocado de propósito. Geralmente era como um código que eu esperava ansiosamente para decifrar. Na carta os elementos nem sempre eram fáce...