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Ela, só ela!

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Levantou dificilmente, com as pernas ainda bambas pedindo arrego mesmo. Ofegante, tentava recuperar a respiração há pouco lhe roubada por tamanho desejo. Arrumou o óculos torto no rosto, embaçado pelo calor do ambiente. Os cachos do cabelo desalinhados lhe davam um charme que normalmente não tinha; aliás, era uma das únicas coisas que ela gostava nele. Isso e as noites em que trocavam chocolates… Sentou novamente, sem rumo ainda. Olhou pra ela, de maneira diferente, e acenou com a cabeça, esperando uma resposta positiva dela. Aguardou… ansioso! Era a primeira vez que lhe tocavam e que tocava alguém. E ela… ah, ela! Como era cheirosa, pele macia – costumava dizer muito isso. Os cabelos lisos lhe caiam aos ombros, brilhantes, balançavam de acordo com o ritmo de suas cadeiras, de modo ritmado, e ele acompanhava completamente seduzido. Um silêncio pesado pairava no ar, nervoso, olhou pra ela, insistindo na espera da resposta. Ela sorriu, um sorriso maroto, com os lábios leve...

1808

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Não dá para descrever o meu sentimento quando abri o delicadamente o livro, não sem antes passar a mão pela capa, como se sentisse a emoção contida nele por outro sentido: o tato. Limpei a poeira que insistia em permanecer ali quase como parte dele mesmo. O que senti não foi somente pela leitura em si – que sabemos que é tamanha – mas porque era o único livro que ficara após sua partida. De tantos este foi o escolhido; e mais, deixado como presente pessoal. Tão pessoal que em sua primeira página vê-se o carimbo particular de um leitor, além de apaixonado, organizado e metódico – qualidades que insisto em me habituar a ter somente para dizer que é herança… Comecei a lê-lo. Sabe que dividimos essa paixão mas, este é mais que apenas palavras, interessantes – confesso. Gostei do livro, acho que por ele parecer com uma reportagem elaborada me chamou a atenção. Além disso, é o que dividimos, enfim. Um dia ainda terei minha biblioteca particular e a coleção será bem querida...

So many (happy) changes

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Diante de tantas mudanças, parei um pouco para refletir. Não que não fosse de costume fazer isso, mas, nesse ano que chegava ao fim, muitas situações seguiram rumos totalmente inesperados, deixando os momentos de reflexão mais escassos… Mas deveriam surgir com mais freqüência agora… Li um texto de Lya Luft uma vez que dizia que “para reinventar-se é preciso pensar”. Não queria me reinventar no sentido literal da palavra, mas melhorar minhas qualidades e diminuir meus vícios… Sentei nos primeiros degraus da escada que dava acesso à área de lazer da casa. Era um dia fresco, mas, mesmo assim preferi a brisa de fora ao aconchego de dentro. Até porque algumas raras gotas de uma provável chuva caíam e elas, de certa forma, me acalmavam. Encolhi as mãos nas mangas que sobravam de um agasalho antigo que ainda cheirava a roupa guardada. Abracei meus joelhos e me encolhi, procurando abrigo em meus próprios braços. Suspirei profundamente. Pensei satisfeita na felicidade que conquistara...

O amor nos tempos de confusão mental

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 “(…) me perdoem se eu insisto neste tema, mas não sei fazer poema ou canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão (…)” Antônio Carlos e Jocafi Eu consigo distinguir o real do imaginário; claro, como uma pessoa normal. Mas mesmo assim, continuo com a impressão de estar vivendo além da realidade. É sublime, leve, iluminado e, ainda assim, forte o suficiente para me agarrar todos os dias e me prender por suas artimanhas ingênuas. A despretensão se torna evidente quando descobrimos que é apenas um sentimento envolvente por si só, não utiliza armadilhas propositalmente, elas simplesmente se fazem presentes. Acho que é exatamente dessa forma que os apaixonados se sentem… Presos por algemas que nem existem. Não que isso seja ruim, mas a paixão os pega de forma incontestável. Entretanto, o que penso e sinto é ainda mais suave que isso… Acredito não estar mais na fase...

Mulher Mendiga

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Estava de bobeira, deitada folgadamente no sofá, passando os canais da tv sem muito compromisso em escutar o que realmente era transmitido quando resolvi para num canal aí… Era novela. Argh! Mentira, mentira… assisto! Pronto, confessei! Bem, a explicação disso – de eu ser noveleira – vem em outro texto… Bom, voltando aos canais… estava ouvindo a fala de uma personagem e, em uma briga com uma amiga ela disse uma expressão que me chamou a atenção: mulher mendiga. Depois ela explicou o que seria e eu fiquei a refletir, achei bem interessante a colocação. Mulher mendiga! A explicação foi que esse tipo de mulher seria aquela que aceita qualquer migalha de homens que pouco lhe valorizam, ou nem um pouco. Aí sim fiquei ainda mais reflexiva. Acho que hoje tem muito disso. As mulheres estão fortes, responsáveis, corajosas mas, intimamente ainda podem estar se sentindo inseguras. Mesmo que sejam elas quem pagam as contas, que passam a roupa, que chegam tarde por conta de uma reuni...