Nada do mesmo...
Ela tinha um cheirinho no cabelo indescritível. Na verdade já passei horas deitado na cama, olhando para o nada apenas desfrutando desse cheirinho que ela tem… Acho que num dia desses cheguei a uma conclusão: era uva.
Isso me lembra a cor que ela usava nas pequeninas unhas. Eram sempre bem curtinhas mas, também, sempre pintadas. Roxo, ela gostava dessa cor e eu passei a gostar também. Ô menina influente!
A pele tão branquinha, não tinha as marcas da adolescência comum. Macia, lisinha, com uma fina camada de pelinhos louros… Vontade de bagunça-los num abraço inesperado… Sim, com ela era assim, tudo na espontaneidade. Mal ela sabia o quanto eu planejava e pensava e desejava e a lia e a decifrava em meus mais frequente pensamentos…
Os seus lábios finos, mal conseguiam apresentar a cor do batom mal passado. Era sem vaidade, gostava de insistir nesta ideia… mas sempre andava com penduricalhos no pescoço e orelha… e enfeitava os dedos com anéis multicoloridos, tão pequeninos quanto seus dedos delicados.
Essa minha paixão não era mal interpretada, nem mal conversada ou escondida; ela sabia bem que eu gostava da companhia dela mesmo quando não estava tão perto. Ela sabia que a janela do meu quarto ficava aberta às tarde de quinta justamente para vê-la voltar da aula de francês. Aguardava o aceno distante que ela me dava, sem pretensão. Eu sabia, e ela também… dizia que sabia.
Esperava chegar a segunda-feira quando eu matava a última aula para ir ao encontro dela na aula de violão. Renato Russo, com sua letras cheias de enigmas, era seu predileto. Passei a entender a vida de Eduardo e Mônica assim…
Ela sabia que não sentia por mim o mesmo que eu por ela, e eu sabia… Mas eu gostava de insistir. Na verdade não era uma insistência sem fundamento, um dia ela me veria como um próximo e não seria démodé me amar.
E eu esperei mas sabe que, diferente desses meladas histórias de amor de um jovem que se apaixona pela vizinha, ainda novos, e crescem fazendo tudo juntos, e nutrem carinho um pelo outro, e fazem esse carinho passar a ser mais que isso… Não, no meu caso houve o Rogério. Chegou e acabou com meu final. Levou o violão com a foto do Renato e foi colher uvas em outro lugar!

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